INTERNACIONAL Data de Publicação: 14 set 2026 11:09 Data de Atualização: 14 set 2026 11:29
Uma graduação iniciada em Caçador poderá levar seus estudantes a uma experiência acadêmica em Portugal e, ao final da formação, resultar em dois diplomas. Essa é uma das possibilidades em construção a partir da parceria entre o Câmpus Caçador do IFSC e a Universidade Politécnica de Coimbra (UPCoimbra), formalizada por meio de uma carta de intenção assinada durante o 12º Seminário de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação do IFSC (Sepei 2026).
A cooperação prevê duas frentes envolvendo o curso de bacharelado em Sistemas de Informação do câmpus. Uma delas é um programa de dupla-diplomação com a Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital (ESTGOH), que integra a instituição portuguesa. A outra, ainda em fase inicial de tratativas, prevê uma dupla-titulação com o Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (Isec), também vinculado à Universidade Politécnica de Coimbra.
Embora os acordos ainda precisem avançar em etapas acadêmicas e administrativas, a perspectiva já representa um movimento inédito para o câmpus. “Essa aproximação foi construída a partir do interesse do Câmpus Caçador em iniciar suas ações de internacionalização e estabelecer parcerias que possam gerar oportunidades concretas para nossos estudantes”, explica a diretora-geral, professora Danielle Ullrich.
No caso da parceria com Oliveira do Hospital, a proposta é que o estudante faça sete semestres em Sistemas de Informação pelo IFSC e curse um semestre em Portugal. Ao final, poderá obter o diploma de bacharel pelo IFSC e o de licenciado em Engenharia Informática pelo Instituto Politécnico de Coimbra.
Já a segunda possibilidade envolve o bacharelado em Sistemas de Informação e o mestrado em Engenharia Informática do Isec. Nesse modelo, o estudante faria os quatro anos regulares da graduação no IFSC e, posteriormente, um ano adicional em Portugal. Ao completar os cinco anos de formação, a previsão é que obtenha o título de bacharel pelo IFSC e o de mestre pelo Instituto Politécnico de Coimbra.
“Coimbra é uma cidade que é referência em educação, e a possibilidade de termos os discentes do IFSC estudando lá é uma grande oportunidade para suas carreiras”, destaca o professor Eduardo Villar, coordenador do curso de Sistemas de Informação do Câmpus Caçador e um dos responsáveis pela articulação da parceria.
Tecnologia como porta de entrada para a internacionalização
A escolha de Sistemas de Informação como uma das primeiras áreas do Câmpus Caçador a avançar na internacionalização está relacionada às próprias características do setor de tecnologia. Para Danielle, trata-se de uma área com atuação que ultrapassa fronteiras e oferece possibilidades profissionais em diferentes países.
A diretora-geral também destaca que a internacionalização pode dialogar diretamente com a posterior trajetória dos alunos. “Estamos falando de futuros profissionais que podem atuar para empresas de qualquer parte do mundo. Nesse sentido, proporcionar uma formação que também tenha uma perspectiva internacional está muito alinhado às características da própria área e às oportunidades profissionais que esses estudantes encontrarão no futuro”, observa.
Para Eduardo, a parceria também poderá contribuir para tornar o curso ainda mais atrativo. “O curso de Sistemas de Informação é um curso nota 5, pela avaliação do MEC (nota máxima), e esses acordos irão tanto fortalecer o ingresso de estudantes no curso, pela visibilidade e atratividade destes acordos internacionais, como também a própria formação destes estudantes”, afirma.
Um primeiro passo para ampliar fronteiras
A parceria com a Universidade Politécnica de Coimbra também tem um significado institucional para o Câmpus Caçador: trata-se da primeira iniciativa internacional dos cursos do câmpus. Por isso, ainda há etapas a serem cumpridas antes que os estudantes possam efetivamente se candidatar às oportunidades.
De acordo com Eduardo, as instituições precisam alinhar as matrizes curriculares para definir a equivalência e a possibilidade de aproveitamento dos componentes cursados. Depois dessa etapa, será necessária a assinatura formal dos acordos. O processo conta com o apoio da Assessoria de Relações Institucionais do IFSC, por meio do professor Thiago Meneguel Rodrigues, assim como da Assessoria de Cooperação Nacional e Internacional, com a colaboração dos professores Aline Provedel Dib e Rubipiara Cavalcante Fernandes.
A expectativa, caso as tratativas avancem conforme o planejado, é que os estudantes que ingressaram no curso em 2026 possam se candidatar às vagas quando chegarem ao terceiro ano da graduação, em 2028.
Para Danielle, os ganhos esperados vão além da obtenção de um segundo diploma. A dimensão cultural também é apontada como parte importante da experiência. Viver em outro país significa lidar com novas formas de organização, conviver com pessoas de diferentes origens e conhecer outras maneiras de pensar e enxergar o mundo. Na avaliação da diretora-geral, esses aspectos podem contribuir para o desenvolvimento da autonomia dos estudantes tanto quanto a formação acadêmica.
“Espero que o estudante retorne com um currículo fortalecido, mas, principalmente, com seus horizontes ampliados. Que ele volte percebendo que é possível ter raízes em Caçador e, ao mesmo tempo, construir uma trajetória global”, finaliza Danielle.