BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 16 set 2026 16:22 Data de Atualização: 16 set 2026 17:04
Ele chegou ao Brasil com o desejo de viver uma experiência profissional fora da Espanha e, ao mesmo tempo, conhecer uma nova cultura. Dois meses depois, deixou o país levando consigo novos aprendizados, novas amizades e uma experiência que ampliou sua percepção sobre o papel da educação. Entre estudantes, servidores e gestores, o espanhol Alex Funes Garcia, de 22 anos, conheceu uma realidade educacional que, segundo ele, dificilmente poderia ter vivenciado em outro lugar.
Entre 1º de julho e 31 de agosto de 2026, Alex realizou estágio no IFSC Câmpus Palhoça Bilíngue, sob a orientação da professora Raquel Paiva Godinho. Estudante de bacharelado em Marketing e Comunicação Empresarial pela Universidade de Vic – Universidade Central da Catalunha (UVic-UCC), na Espanha, ele buscava uma oportunidade de sair de seu país e colocar em prática seus conhecimentos em um contexto diferente.
A escolha pelo Brasil também teve um significado especial. “Eu queria fazer estágio fora da Espanha e ver se dava conta de viver longe de casa. O Brasil não foi por acaso, porque é um país que já conhecia de perto por ter muitos amigos brasileiros que fiz na universidade. Cheguei sem expectativas, só com vontade de aprender o máximo possível”, conta.
A oportunidade de estagiar no câmpus surgiu a partir do contato entre o setor de relações internacionais da UVic-UCC e a professora Raquel. “Eu já havia intermediado a vinda de outros dois estudantes de Vic para o Brasil quando atuava em outra instituição. O Alex tinha interesse em fazer seu estágio de verão no Brasil e eu vi uma oportunidade tanto para ele quanto para o IFSC”, explica Raquel.
A professora conta que o perfil do estudante também contribuiu para que o Câmpus Palhoça Bilíngue fosse escolhido como espaço para a experiência. “Me chamou a atenção seu perfil proativo, responsável e educado. Considerei a formação e o interesse do Alex em Marketing e as necessidades do nosso câmpus na área”, relata.
A experiência foi financiada pelo Erasmus+, programa da União Europeia voltado à educação, formação, juventude e esporte, que promove a mobilidade internacional e a cooperação entre instituições e possibilita que estudantes, professores, servidores e organizações participem de experiências em outros países.
Um olhar para além da comunicação
Durante sua permanência no câmpus, Alex acompanhou a rotina institucional e conheceu diferentes aspectos do trabalho desenvolvido pela comunidade acadêmica. Entre as experiências que mais o marcaram está a convivência com os estudantes surdos e a possibilidade de conhecer suas trajetórias. “Sentar em uma sala com alunos surdos e intérprete foi incrível. Escutar suas histórias, saber como chegaram aqui e como o câmpus transformou suas vidas foi muito marcante”, relata.
A experiência também ampliou sua percepção sobre o próprio trabalho na área de comunicação. “Nesses momentos, percebi que não se tratava apenas de trabalhar com comunicação, mas de estar em um lugar que está mudando vidas”, relembra.
Além de acompanhar as atividades do câmpus, Alex desenvolveu um relatório diagnóstico a partir da escuta de diferentes representações da comunidade acadêmica. Para Raquel, esse trabalho está entre as principais contribuições deixadas pelo estudante, junto com a aproximação com outros alunos.
A construção de vínculos
Ao refletir sobre o que leva para a Espanha, Alex destaca, antes de tudo, as pessoas que fizeram parte de sua experiência no câmpus. “Eu levo, sobretudo, as pessoas. Os alunos, os servidores, a coordenação e a direção, que tiveram a paciência de dedicar seu tempo para me explicar e compartilhar sua visão sobre a instituição e responder às minhas curiosidades.”
O estudante também comenta sobre o sentimento de pertencimento: “De certa forma, cheguei como estrangeiro e volto com a sensação de que fiz parte de algo muito grande”, confidencia.
Na opinião da orientadora, a experiência também representa uma oportunidade de crescimento que ultrapassa os conhecimentos relacionados à formação acadêmica. “É uma experiência única, de aprendizagem, de intercâmbio de cultura e conhecimento e também de amadurecimento pessoal e profissional”, avalia.