EXTENSÃO Data de Publicação: 09 out 2026 00:39 Data de Atualização: 05 nov 2026 11:40
Pesquisadores do Câmpus Florianópolis-Continente do IFSC vão desenvolver um projeto para fortalecer o turismo ligado ao vinho (enoturismo) na região dos Vales da Uva Goethe, no Sul de Santa Catarina. A iniciativa prevê a estruturação de rotas e roteiros turísticos, a capacitação de profissionais e empreendedores locais e a criação de materiais de divulgação e de sinalização turística. O objetivo é valorizar a Denominação de Origem “Vales da Uva Goethe” e ampliar o potencial turístico da região.
Coordenado pelo professor Jucelio Kulmann de Medeiros, o projeto reúne integrantes do IFSC e uma bolsista colaboradora externa vinculada à Associação dos Produtores da Uva e do Vinho Goethe (ProGoethe), a secretária-executiva da associação, Andréa Vargas dos Santos. A ProGoethe vai trabalhar em conjunto com a equipe do Instituto Federal de Santa Catarina e trazer um olhar mais próximo da realidade local, de acordo com o professor Jucelio.
A proposta inclui o diagnóstico das condições de recepção de visitantes, o levantamento de atrações turísticas e a análise da percepção da população local sobre a atividade.
Os Vales da Uva Goethe têm Urussanga como polo principal e abrangem mais sete cidades do Sul Catarinense (Cocal do Sul, Içara, Morro da Fumaça, Nova Veneza, Orleans, Pedras Grandes e Treze de Maio). A região reúne vinícolas, vinhedos e tradições culturais relacionadas à imigração italiana e à produção de vinhos com a uva Goethe, variedade que se adaptou às condições locais e contribuiu para a identidade vitivinícola regional.
Trazida para o Brasil por um imigrante italiano, a uva Goethe tem sua origem nos Estados Unidos, tendo sido criada por volta de 1850. O professor Jucelio de Medeiros explica que as uvas viníferas (usadas para fazer vinho) europeias tinham problemas de adaptação em um ambiente mais quente e úmido. “A Goethe oferecia rusticidade e maior resistência. Em paralelo, lembrava um tanto o perfil de uva Moscato, que os imigrantes italianos eram acostumados, fazendo com que tenha acabado por ser uma ‘escolha natural’", detalha.
Turismo existe, mas pode melhorar
A iniciativa do IFSC parte da avaliação de que o turismo já ocorre na região, mas ainda pode ser ampliado com a organização de roteiros e rotas estruturados. Para isso, o projeto pretende aproximar a produção de vinhos de outras atrações, como a gastronomia, as manifestações culturais e as experiências turísticas locais.
Segundo Jucelio, a existência das vinícolas, com variáveis graus de recepção turística, mas ainda com horários limitados aos fins de semana, são um exemplo de como o turismo na região pode avançar. A Denominação de Origem - concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), órgão do governo federal - é outro ponto positivo, pois não é um reconhecimento tão simples de se conseguir.
“Também a existência de hábitos, saberes e fazeres dos imigrantes italianos, estando bem próximo da BR-101, de um dos grandes aglomerados urbanos do estado (Criciúma), de parte do litoral sul do estado, e mesmo relativamente próximo da capital”, acrescenta o professor do Câmpus Florianópolis-Continente.
Capacitação e olhar local
Entre as ações previstas, está a oferta de capacitação nas áreas de hospitalidade, turismo de base comunitária e enoturismo para atores locais: proprietários e trabalhadores das vinícolas, de restaurantes e de meios de hospedagem.
A proposta também inclui a produção de materiais de orientação para o atendimento aos visitantes e para a criação de roteiros, rotas e sinalização turística.
O projeto prevê ainda o levantamento das condições de infraestrutura dos estabelecimentos turísticos e a elaboração de propostas de melhoria, considerando as possibilidades de cada empreendimento e aspectos de inclusão. A equipe pretende ouvir moradores para compreender os impactos atuais do turismo e as perspectivas de expansão da atividade.
A proposta busca estimular um modelo de turismo que valorize a participação da população local e contribua para o desenvolvimento social e econômico da região. Para acompanhar os resultados, serão considerados indicadores como o número de visitantes, a opinião dos turistas e as receitas relacionadas à atividade turística.
Roteiros, eventos e divulgação
Entre os produtos que devem surgir do projeto, estão materiais de divulgação da Denominação de Origem, uma cartilha de hospitalidade e recepção turística, projetos de roteiros e rotas integradas e uma proposta de sinalização para rodovias, municípios e propriedades de interesse turístico.
O projeto prevê a criação de experiências voltadas a diferentes públicos, como piqueniques, sunsets, lounges e wine gardens, além de uma proposta de sarau literário que relacione a obra do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe (cujo sobrenome deu origem à denominação da uva) à identidade dos vinhos da região. A equipe pretende articular parcerias com órgãos públicos e entidades de turismo para apoiar a promoção da Denominação de Origem e buscar recursos para novas ações.
Ao final do trabalho, deve ser organizado um seminário para apresentar os produtos desenvolvidos, os diagnósticos e os resultados da capacitação.
A iniciativa foi aprovada em um edital nacional de seleção de projetos para promoção das chamadas Indicações Geográficas, um registro conferido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) a produtos ou serviços que são característicos do seu local de origem, o que lhes atribui reputação, valor intrínseco e identidade própria, além de os distinguir em relação aos seus similares disponíveis no mercado. Os trabalhos estão previstos para durar um ano.
Além de Jucelio, o projeto tem membros voluntários, entre professores e estudantes. As bolsistas são a Elizabeth Zanuncio, do curso técnico em Guia de Turismo Nacional e América do Sul, e Gabriela Bogorny Wirth, do curso superior de tecnologia em Gastronomia.