ENSINO Data de Publicação: 14 set 2026 21:10 Data de Atualização: 14 set 2026 21:20
Os alunos do IFSC Câmpus Lages participaram, na tarde de quarta-feira (9), de uma roda de conversa sobre gênero e violência. A atividade foi organizada pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero e Educação do IFSC Lages e conduzida pela psicóloga clínica Bruna Meurer Antunes, mestra em Gênero e Desenvolvimento Social.
O encontro teve como objetivo promover um espaço de diálogo e reflexão sobre a violência de gênero, especialmente contra as mulheres, diante do elevado número de casos registrados no Brasil. A iniciativa integra as ações institucionais do IFSC voltadas à promoção da cidadania, dos direitos humanos e de uma cultura de paz no ambiente educacional.
Diálogo com estudantes
Durante a roda de conversa, Bruna abordou conceitos como violência de gênero, ciclo da violência, sinais de relacionamentos abusivos e quais são os caminhos para buscar ajuda. A proposta foi relacionar essas discussões às experiências cotidianas dos estudantes, incentivando o desenvolvimento do pensamento crítico e da autonomia.
“Para evitar narrativas que culpabilizam a vítima, é preciso aprender a questionar aquilo que, muitas vezes, ouvimos como ‘normal’, como ciúme confundido com amor, controle chamado de cuidado, agressões justificadas por atitudes da vítima ou a ideia de que ‘homem é assim mesmo’”, explicou Bruna. “Romper com esses discursos é também romper com a cultura que silencia, justifica e perpetua a violência”, pontuou.
A aluna Julia Leandra Wolff, de Gestão do Agronegócio, contou que o que mais lhe chamou a atenção foi a forma como a roda de conversa foi conduzida, “sem tabus e de maneira muito honesta”. “Foi interessante poder conversar sobre a violência de gênero e perceber as suas diversas formas”, relatou.
“As instituições de ensino são espaços onde convivemos e aprendemos juntos. É muito importante falar sobre essas questões para conscientizar, incentivar o respeito e ajudar a reconhecer situações de violência que, muitas vezes, acabam sendo vistas como ‘normais’”, completou Julia.
Criação do Núcleo de Pesquisas em Gênero e Educação
“Desde que retornei de Portugal, onde estou finalizando meu doutorado em estudos feministas, percebi a necessidade de termos, no câmpus, uma iniciativa institucionalizada — não apenas ações isoladas, mas um núcleo formado por pessoas que assumissem um trabalho contínuo de conscientização e prevenção, especialmente no enfrentamento à violência de gênero”, contou a professora Ana Maria Martins Roeber, ao explicar a origem da proposta de criação do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero.
“Além da formação integral é muito importante oportunizar aos nossos estudantes refletir sobre questões que são prioridade no mundo atual, na sociedade atual”, ressaltou Ana. “O conhecimento não visa só o capital, ou não deveria visar. Ele visa a construção de uma sociedade melhor, de uma sociedade mais justa”, afirmou a professora. “Se queremos mudar a sociedade, melhorar a sociedade, uma das únicas formas é por meio da educação”, acrescentou.
Papel institucional do IFSC
A atividade reforça o compromisso do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC) com ações educativas que contribuam para a construção de um ambiente escolar mais seguro e inclusivo, em sintonia com as políticas institucionais de promoção da equidade, do respeito à diversidade e do enfrentamento a todas as formas de violência. O Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero e Educação do IFSC Lages segue promovendo discussões e reflexões sobre questões de gênero, fortalecendo relações mais inclusivas no ambiente institucional.
Como buscar ajuda
O IFSC orienta que estudantes, servidoras e servidores que vivenciem ou testemunhem situações de violência de gênero busquem os canais de apoio disponíveis, como a Diretoria de Assistência Estudantil e os serviços da rede de proteção local (DEAM, CREAS, Defensoria Pública). Denúncias também podem ser feitas pelo telefone 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou 190 (Polícia Militar), em casos de risco imediato.