EVENTOS Data de Publicação: 30 out 2026 11:43 Data de Atualização: 30 out 2026 11:53
A construção e a operação de drones exigem conhecimentos que vão muito além da pilotagem: programação, eletrônica, engenharia mecânica, processamento de imagens e automação são algumas das áreas envolvidas no desenvolvimento dessas aeronaves. É a integração desses conhecimentos que estará à prova na Competição Catarinense de Drones 2026, que começa neste sábado, 31 de outubro, em Criciúma. O evento reúne nove equipes de estudantes de ensino médio e graduação, de instituições de diferentes estados brasileiros, em uma série de desafios técnicos e tecnológicos.
Organizada pelo Câmpus Florianópolis do IFSC, em parceria com o Centro Universitário UniSATC, a competição será realizada nas dependências da instituição parceira. A abertura está prevista para as 13h de sábado, e as atividades seguem até segunda-feira, 2 de novembro, quando ocorrerão o encerramento e a premiação, às 15h. O público poderá acompanhar gratuitamente as provas nos dias 1º e 2 de novembro. A programação e outras informações estão disponíveis no perfil do Laboratório de Drones do IFSC no Instagram: @droneifsc.
A edição deste ano consolida a expansão de uma iniciativa que começou em 2021, com apenas duas equipes, em uma ação local do Laboratório de Drones do Câmpus Florianópolis durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT). Segundo o coordenador técnico da competição, professor Leandro de Medeiros Sebastião, o crescimento ocorreu gradualmente, com a participação de estudantes de outros câmpus do IFSC e de instituições de outros estados. A parceria com o IF Baiano, por exemplo, está consolidada desde 2023.
De acordo com o professor, um passo importante nessa trajetória foi a aproximação com a UniSATC, formalizada em 2025 por meio de um termo de cooperação técnica. A parceria possibilitou ampliar a infraestrutura disponível, a capacidade de atendimento aos competidores e a complexidade dos desafios propostos. Na edição 2026, o evento consolidou a abrangência nacional, com a confirmação de nove equipes inscritas.
“Isso incrementou o histórico de parceria com instituições de diversos estados como IF Baiano, CEFET-MG, Univali, IF Sertão PE, UFSC e três câmpus do próprio IFSC (Florianópolis, Criciúma e Chapecó), além de introduzir desafios avançados de voo autônomo, processamento de imagem e inteligência embarcada”, destacou Leandro.
Do projeto da aeronave às missões de voo
O regulamento da competição estabelece que cada equipe deve projetar, montar e operar seu próprio drone. Os estudantes precisam desenvolver soluções capazes de atender a diferentes missões, que envolvem tanto o controle manual quanto a automação dos voos.
A edição de 2026 conta com 12 atividades práticas, além de uma etapa preliminar de apresentação em vídeo e uma apresentação técnica presencial dos projetos. Entre os desafios estão o mapeamento de áreas, o transporte e a entrega de cargas, a passagem por obstáculos, a navegação automatizada e a inspeção de estruturas.
Na prova de mapeamento, por exemplo, os drones precisam realizar uma missão de levantamento de informações de uma área. Já nas atividades de transporte e entrega, os equipamentos devem demonstrar capacidade de carregar objetos, utilizar mecanismos de soltura e realizar entregas com auxílio de paraquedas.
Outras provas exigem recursos mais avançados. Na inspeção visual, os equipamentos precisam identificar referências e códigos em estruturas. Na atividade de localização e resgate, os competidores devem desenvolver soluções para localizar alvos de maneira autônoma. Há ainda desafios de voo em espaços semiconfinados, navegação com auxílio de observadores e cumprimento de trajetos automatizados. “Os desafios da edição 2026 foram formulados para simular cenários reais da engenharia e da operação de aeronaves remotamente pilotadas”, explica o professor Leandro.
Para desenvolver as soluções, os estudantes mobilizam conhecimentos de diferentes áreas. Na engenharia mecânica, precisam trabalhar com a estrutura da aeronave, dimensionamento de motores e hélices e mecanismos para transporte de cargas. Na eletrônica e na computação, entram a programação das controladoras de voo, a integração de sensores e o processamento de imagens.
As equipes têm janelas de voo de 18 minutos para executar as provas, com a possibilidade de escolher quais atividades realizar e em que sequência. A única exigência é que a prova de decolagem seja sempre a primeira. Caso optem pela prova de velocidade, ela deverá ser a última da janela. A pontuação considera o melhor desempenho obtido em cada atividade ao longo da competição. Todas as equipes disputam uma categoria única, mas há uma bonificação de 100 pontos para aquelas formadas exclusivamente por estudantes do ensino médio.
Tecnologia com aplicações no mercado de trabalho
Embora tenham caráter educacional, os desafios foram elaborados para aproximar os estudantes de situações encontradas no mercado de trabalho. O uso de drones já está presente em atividades como inspeções industriais, agricultura, logística, monitoramento ambiental e operações de busca e resgate.
O professor Leandro destaca que as provas reproduzem aplicações que exigem soluções tecnológicas semelhantes às utilizadas por empresas e profissionais desses setores. As missões de localização de alvos e os voos orientados por observadores, por exemplo, dialogam com aplicações em operações de resgate e monitoramento de áreas atingidas por desastres naturais.
A inspeção visual também aproxima os estudantes de atividades de verificação de linhas de transmissão, turbinas eólicas, pontes e estruturas industriais. Já os desafios de transporte e entrega de cargas permitem trabalhar com possibilidades de logística de suprimentos, medicamentos e coleta de amostras em locais de difícil acesso.
“A competição atua como uma ponte direta entre a formação acadêmica e as demandas reais do setor produtivo. Em vez de desafios meramente teóricos ou acrobáticos, cada prova do regulamento espelha uma aplicação comercial consolidada”, afirma o coordenador. Para ele, a experiência permite que os estudantes compreendam o drone não apenas como uma aeronave, mas como uma ferramenta para coleta de dados e resolução de problemas.
Parceria entre ensino e setor produtivo
A realização da competição também envolve a aproximação entre instituições de ensino e empresas ligadas à área de tecnologia e inovação. Além do Laboratório de Drones do IFSC e da UniSATC, o evento conta com o apoio da Fundação de Ensino e Engenharia de Santa Catarina (FEESC), por meio do programa Conexões para Inovar, e o patrocínio e apoio das empresas Global Drones e Shuttle Aerospace.
Para Leandro, essa articulação contribui tanto para a estruturação do evento quanto para a formação dos estudantes. “As ações da competição atendem diversos interesses das partes envolvidas (academia, indústria, fundação de apoio, órgãos de fomento), potencializam o protagonismo discente e ampliam as possibilidades de posicionamento profissional para os alunos envolvidos nas atividades”, avalia.
A parceria entre as instituições de ensino permite compartilhar infraestrutura, laboratórios e conhecimentos especializados, enquanto o contato com empresas ajuda a aproximar os desafios das tecnologias e necessidades atuais do setor produtivo.
O ambiente também favorece o contato entre estudantes, pesquisadores e profissionais, criando possibilidades de desenvolvimento de projetos de pesquisa, estágios e futuras oportunidades de trabalho. “A aproximação entre a rede pública federal, o ensino comunitário e privado e o setor produtivo fortalece uma forma de ecossistema de inovação altamente dinâmico”, finaliza o professor.