INOVAÇÃO Data de Publicação: 08 mai 2026 16:00 Data de Atualização: 22 mai 2026 18:24
O Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) teve um projeto classificado no primeiro edital do Laboratório InovaSUS Digital, iniciativa do Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação (MEC). O resultado da seleção, que busca fortalecer a transformação digital no Sistema Único de Saúde (SUS), habilitou 383 proponentes em todo o Brasil, entre eles 16 institutos federais.
A proposta classificada pelo IFSC foi do Câmpus Florianópolis e é coordenada pelo professor Matheus Savi, do Laboratório de Manufatura Aditiva e Inovação em Saúde (LabMais). O projeto visa expandir nacionalmente um serviço que já é oferecido de forma gratuita para o SUS pelo instituto em Santa Catarina: a produção de modelos de impressão 3D para auxiliar no planejamento e na execução de cirurgias de alta complexidade no Sistema Único de Saúde e em redes particulares.
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Atualmente, o LabMais fornece essas peças gratuitamente para hospitais da região, mas o atendimento a outras partes do país esbarra em dificuldades logísticas. "A gente gosta muito e precisa ter esse contato próximo com o cirurgião para fazer definições específicas dos modelos. Então, a nossa proposta para esse edital foi criar laboratórios como o que existe aqui no IFSC em cinco regiões do país", explica o professor Matheus Savi. O projeto prevê não apenas a montagem da estrutura e fornecimento de equipamentos, mas também o treinamento das equipes locais.
As soluções classificadas no edital InovaSUS Digital passam agora a integrar um banco de propostas que poderão, futuramente, subsidiar parcerias estratégicas e processos de compras públicas de inovação por parte do governo federal. Para o coordenador, a presença do instituto neste cenário é motivo de comemoração. "Projetos como esse colocam o Instituto Federal numa vitrine. Nós estamos aqui e temos condições e capacidade técnica e de pessoal para concorrer ou auxiliar junto às outras instituições", destaca o professor.
A adoção de modelos 3D permite que a equipe médica visualize a anatomia do paciente em tamanho real antes mesmo de iniciar o procedimento cirúrgico, o que traz mais precisão e agilidade. Em casos atendidos pelo laboratório do IFSC, a tecnologia permitiu reduzir o tempo de planejamento e execução de diversas intervenções, economizando recursos públicos e diminuindo o tempo de internação e o risco de infecções do paciente.
O LabMAIS: inovação, pesquisa e serviços à comunidade
O Laboratório de Manufatura Aditiva e Inovação em Saúde (LabMais), do Câmpus Florianópolis, atua como uma referência na união entre tecnologia e saúde pública. Seu carro-chefe é a transformação de exames de tomografia em modelos anatômicos tridimensionais, que são utilizados por cirurgiões para planejar intervenções complexas de forma mais assertiva.
O professor Matheus cita um caso em que o modelo 3D foi fundamental: “Era um caso tão complexo que o cirurgião precisava fazer uma cirurgia de 12 horas, parar, esperar até dois meses, mais uma cirurgia, nova parada de dois meses, e fazer uma terceira cirurgia para poder fazer a correção total. E o modelo 3D conseguiu fazer esse planejamento para duas cirurgias. Ele economizou uma cirurgia inteira. E por consequência, o paciente vai para UTI, enfermaria... Só contando o custo que o SUS paga, mais pessoal, economizou cerca de R$ 50 mil para o Estado”, exemplifica o professor.
Além dos modelos de estudo, o laboratório também produz moldes personalizados para a criação de próteses. Nesses casos, a tomografia do paciente é utilizada para mapear falhas ósseas — como a perda de uma parte do crânio — e espelhar o lado saudável, criando um molde que será preenchido com cimento cirúrgico durante a operação, devolvendo a estética e, em alguns casos, a funcionalidade ao paciente.
O LabMais é um laboratório do IFSC habilitado para a prestação de serviços externos a clientes particulares ou empresas privadas que desejam desenvolver projetos e produtos. Segundo o professor Matheus Savi, os recursos captados por meio desses serviços pagos são fundamentais para o funcionamento do laboratório. "O dinheiro vem, eu utilizo para comprar insumo, material e pagar bolsa para aluno. Com isso, a gente consegue atender de graça o SUS", detalha o coordenador.
Veja, em vídeo, a atuação do LabMAIS: