Equipes do Câmpus Florianópolis são destaque na Jornada de Foguetes, no Rio de Janeiro

INSTITUCIONAL Data de Publicação: 31 ago 2026 19:19 Data de Atualização: 31 ago 2026 19:41

Três equipes formadas por estudantes dos cursos técnicos integrados do Câmpus Florianópolis do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) participaram da 88ª Jornada de Foguetes, realizada entre os dias 17 e 20 de agosto no Hotel Fazenda Ribeirão, em Barra do Piraí (RJ). A delegação retornou com premiações em todas as participações: um troféu de ouro, um de prata e uma menção honrosa, registrando alcances horizontais de lançamento entre 57 e 233 metros.

O torneio reuniu cerca de 85 equipes de ensino médio de diversos estados brasileiros para disputar a categoria de nível 4 da Mostra Brasileira de Foguetes (MOBFOG). Nessa modalidade, os protótipos utilizam garrafas PET e operam com propelente líquido pressurizado gerado pela reação química entre vinagre e bicarbonato de sódio. A viagem da comitiva catarinense contou com apoio institucional do Câmpus Florianópolis e do programa SBPC vai à Escola, vinculado à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

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A delegação do IFSC no evento foi composta por: 

Menção Honrosa
Maria Clara Mendes Derzette
Milene Araújo de Moura

Prata
Ozimaxi Cassio Oliveira dos Anjos
Vicente Garcia de Castro
Zara Valentina Martinez Borges

Ouro
Leona Dal-Bó Ferreira Caetano
Maria Flora Knierim Correia Dias
Miguel Rosa Nunes

Formação prática e autonomia estudantil

As equipes garantiram vaga na etapa nacional após se destacarem na mostra interna realizada pelo Polo Olímpico do Câmpus Florianópolis em abril. A coordenadora do projeto e das equipes na competição, professora Paula Borges Monteiro, enfatizou que o desenvolvimento dos protótipos exige uma integração multidisciplinar de conteúdos e fortalece a maturidade dos estudantes. "A participação na jornada permite que eles coloquem em prática conhecimentos de física, matemática, química e engenharia envolvidos na construção e no lançamento dos foguetes. Mas também desenvolvem outras habilidades, como trabalho em equipe, organização, comunicação, criatividade e capacidade de lidar com imprevistos, porque precisam planejar, testar, analisar e tomar decisões", explica.

A docente destacou ainda o impacto humano e formativo da experiência fora de Santa Catarina. "Em alguns casos, é a primeira vez que esses estudantes viajam sem os responsáveis ou para fora da cidade. É muito especial acompanhar a participação deles e perceber o quanto crescem ao longo do processo: cada teste, cada tentativa e cada ajuste se traduz em aprendizado. É um orgulho perceber também que, além de construir os foguetes, a gente ajuda a construir autonomia, confiança e novas perspectivas, em especial para as meninas, que são a maioria nas nossas equipes", completou. A delegação foi acompanhada in loco pelo professor Eduardo Niehues.

Protagonismo feminino e incentivo às ciências exatas

A trajetória das estudantes até a competição nacional esteve diretamente conectada ao projeto RENACEE_MD (Rede de Extensão Nacional para Meninas Digitais), iniciativa apoiada pelo CNPq que estimula o ingresso e a permanência de alunas nas áreas de tecnologia, computação e ciências exatas. Aluna da 6ª fase do Técnico Integrado em Química, Maria Clara Mendes Derzette explicou que o contato inicial com a astronáutica ocorreu por meio do projeto e das oficinas do Polo Olímpico. Ela ressaltou os desafios operacionais do nível 4 e o valor da convivência com delegações de todo o país. "Esse foguete é um pouco mais difícil de ser controlado, porque assim que começa a reação química, você não tem mais controle sobre ele. Foi uma experiência cheia de aprendizados. A gente vai para lá e, às vezes, nada sai como planejado, mas erros e falhas mecânicas acontecem. Tivemos a oportunidade de trocar conhecimentos com pessoas do Brasil inteiro. Conversamos com professores de fora que apresentaram técnicas e formas de fazer diferentes das nossas, e tudo isso acrescenta e soma", disse.

Resiliência em campo e direcionamento profissional

Durante os testes na pista de lançamento, imprevistos na estrutura da base exigiram reação rápida e trabalho colaborativo da equipe que conquistou a menção honrosa. Estudante da 7ª fase do Técnico Integrado em Eletrotécnica, Milene Araújo de Moura Jurkftz relatou que o aprendizado obtido ao contornar as falhas técnicas foi fundamental para reforçar sua vocação profissional. "A gente trabalhou com entusiasmo e foi com um excelente foguete. Mas, como o mecanismo não deu certo de início e algumas peças da base falharam, nós construímos de novo, fizemos a manutenção no dia seguinte e fomos na coragem para colocar a cara a tapa e fazer acontecer da melhor forma possível. O troféu de menção honrosa representa essa nossa coragem de ter ido competir em outro estado", complementa a aluna.

Prestes a concluir a formação técnica de nível médio, Milene pontua que a vivência no IFSC e no Polo Olímpico foi decisiva na definição de seus próximos passos acadêmicos. "Ajudou muito a ampliar meu olhar sobre o que eu realmente gosto e sobre o futuro que eu quero. Estou indo para a área das engenharias. O Polo Olímpico e o IFSC me deram conhecimentos técnicos que vão além do meu curso regular, além de uma postura de olhar para o outro, ajudar e solucionar problemas em equipe", finaliza.
 

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